{"identifier":"pedro-assuncao-p68cca6b306d51915e0119ef2","serviceModel":["Presencial"],"nophoto":false,"address":{"zipcode":"80530000","cityIdentifier":"curitiba","number":"140","stateRef":"PR","street":"Avenida Cândido de Abreu","cityRef":"Curitiba","coordinates":[{"lng":-49.269371,"lat":-25.4231968}],"complement":"","quarter":"Centro Cívico"},"docNumber":"CRP 08/39201","phones":["41999906664"],"services":{"service":[{"price":"0","name":"Primeira consulta psicológica","description":null},{"price":"0","name":"Psicoterapia","description":null}],"totalServices":2},"specialists":[],"ownerId":"68cca36506d51915e004057e","type":"person","primarySpecialty":{"identifier":"psicologo","name":"Psicólogo"},"emails":[],"insuranceProviders":[],"specialties":["Psicólogo"],"reviews":{"average":5,"total":10,"reviews":[{"date":"2024-05-07T20:24:17Z","star":5,"name":"Marcelo da Silva ochiai","responses":null,"comment":"meu luto teve outro significado após nossa conversa ","_id":"68cca72906d51915e012dd28"},{"date":"2024-04-11T21:02:56Z","star":5,"name":"Silvia","responses":null,"comment":"Excelente abordagem! 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Era pequeno e minha maneira de me defender era usando minha língua. \n\nMinha mãe e meu pai me ensinaram a ler muito cedo, meu pai costumava deitar-se de bruços ou me carregar nas costas e eu ficava soletrando as letras da camisa dele – não me lembro disso pessoalmente, era muito pequeno, tinha 3 aninhos, mas tenho até hoje vídeos dessa época.\n\nNão foram poucas as vezes que minha mãe teve que ir à escola dar explicações pro meu comportamento. Quando eu estava errado, ela me dava dura, mas quando ela não concordava, ela dava dura na escola.\n\nParte dos meus problemas comportamentais era justamente por ser filho de psicóloga, filho de psicóloga sempre é difícil. Parte era por motivos que só fui descobrir em 2022, quando achei que tinha TDAH, fiz exames neuropsicológicos e descobri que tinha altas habilidades, não TDAH e aí ficou claro pra mim porque a escola sempre foi entediante e porque eu sempre criava confusão pra ter alguma diversão lá dentro.\n\nAcho que minha mãe sempre soube disso. Desde cedo ela me dava muitos livros. Eu nunca fui do esporte, sempre fui o nerd da filosofia. Uma vez meu pai tava tentando me convencer a ir num campeonato de futebol da escola, e eu falei que preferia ficar lendo livros e ganhar uma competição de escrita. Ele queria um filho esportivo e ganhou um filho nerdola. Acontece, amo livros mesmo e sempre amei estudar.\n\nCom minha mãe sempre conversamos sobre tudo, sobre vida, sobre propósito, sobre religião, sobre ateísmo, sobre crenças, sobre a morte.\n\nEla teve bastante dificuldade de trabalhar como psicóloga assim que saiu da faculdade, entrando em depressão pois era uma excelente aluna que acreditava que ia fazer sucesso fora da faculdade, mas a realidade foi diferente, ninguém conhecia ela (não havia internet) e ela não conseguia atuar. \n\nEla lidou com isso da melhor forma que pode e seguiu em frente.\nEu decidi que iria fazer psicologia, assim como ela. \nE falhei miseravelmente. Ela ao menos se formou, eu desisti antes.\n\nEu era procrastinador, desmotivado, achava que minha inteligência ia me carregar pra sempre e dos 6 períodos que consegui suportar na primeira vez que fiz psicologia eu devo ter reprovado metade.\n\nFiz estágios em RH, ficar chamando pessoas pra entrevistas, pra vagas horrendas, que pagavam pouco e eu me sentia que estava enganando todo mundo. Não durei 3 meses.\n\nAtendimento clínico me parecia impossível, minha mãe tinha sofrido muito por não conseguir pacientes, eu achava que não conseguiria também.\n\nAcabei trancando a faculdade, tava perdido, sem rumo, não sabia do que eu era capaz ou não, Psicologia parecia algo que eu ia amar fazer e morrer de fome pois não sabia como ia fazer dinheiro pra sobreviver. \n\nEu estava sem rumo, e minha mãe sugeriu fazer um intercâmbio, eu já sabia inglês e seria uma oportunidade de ir buscar as respostas que eu precisava. Ao menos iria me desenvolver como pessoa.\n\nComecei a procurar, na época o mais barato era Irlanda ou Austrália. Conseguimos um bom pacote por 3 meses na ILSC em Sydney. E eu fui, com meus 21 anos, sem saber lavar roupa, viver sozinho, cozinhar, etc.\nEu precisava de uma aventura, mas não sabia que eu ia receber muito mais que eu estava pedindo.\n\nInglês eu comecei a aprender sozinho aos 6 jogando videogames com um dicionário do lado e ia traduzindo o que os personagens iam falando. Era um jogo de investigação e o que a maioria dos personagens falavam era “I’m sorry, I don’t know”. E essa foi a primeira frase que aprendi. Me desculpe, eu não sei. \n\nMesmo assim, falar inglês foi desafiador no começo, perder o medo foi difícil mas logo engatei a marcha e soltei a língua.\n\nO desafio de verdade, que eu não esperava, veio depois de eu conseguir me estabelecer lá. Com minha nota da escola de inglês, consegui uma bolsa de estudo lá, estendi o prazo pra 36 meses, comecei num emprego e a fazer uma faculdade de negócios lá. \n\nAs coisas estavam indo bem.\n\nNo quarto mês, minha mãe foi diagnosticada com câncer de mama. \n\nE aí vem a dúvida, volto ou fico? \n\nAs coisas começaram a ficar caras. Minha mãe me ajudava na época pois mesmo com o trabalho + bolsa, eu não consegui pagar minha faculdade + moradia sozinho. \n\nCom o câncer dela, os remédios não eram cobertos pelo plano e o SUS demorava para reembolsar, cada caixinha do tratamento custava em torno de 20 mil reais. Ela fez penhor no automóvel, empréstimo no banco, tudo para que eu não precisasse voltar. Ela queria que eu ficasse lá e me desenvolvesse. \n\nEu aceitei, peguei mais um emprego lá, reduzi os gastos mas tinha muita saudade e o medo era presente: “será que ela vai morrer e eu vou estar aqui?” \n\nAlguns meses depois fizemos uma chamada de vídeo e ela estava carequinha. Foi a primeira vez que vi ela com o cabelo raspado. Os cabelos já estavam caindo e ela estava se sentindo como se não fosse mais mulher.\n\nAo ver isso, me lembrou a cena do filme ET. Falei isso pra ela e, brincando, aproximei meu dedo da webcam, e ela o dedo dela na webcam, emulando o filme. \n\nRimos um monte.\n\nA situação ficou mais engraçada ainda quando meu colega de quarto passou e perguntou “is that your brother?” (é seu irmão?) quando viu alguém careca do outro lado. \n\nE eu respondi, com a cara mais séria e franzida possível que eu conseguia fazer: “No, that’s my mom, she has cancer” (Não, é minha mãe, ela tem câncer.”). O coitado ficou vermelho de vergonha, pediu mil desculpas, mas ela já tava rindo lá na câmera e eu também. \n\nSempre tivemos isso: humor das coisas negras da vida.\nMe lembra o filme do rei leão: “eu rio na cara do perigo!”\n\nEra a nossa forma de lidar com as coisas difíceis da vida. É como eu lido com muita coisa. Tem coisas que só o bobo da corte pode falar pro rei. Há assuntos que precisam do humor para serem lidados conscientemente.\n\nO resultado dessas piadas e brincadeiras, dessa forma de lidar com as coisas – que não é pra ser confundida com um humor ácido ou inconsequente – me enche o olho de lágrimas e o coração sobe na garganta: \nNo fim dessa conversa, meia noite pra mim e meio-dia pra ela, ela me agradeceu pela conversa e me falou que eu tinha sido a primeira pessoa que viu ela careca e tratou ela como humano, não como doença.\n\nEu fui no início do ano pra Austrália e voltei antes do Natal. Fiquei lá quase 10 meses. Decidi que eu ia terminar a faculdade de business aqui no Brasil. \n\nConsegui uma entrevista na Renault para trabalhar na área de negócios da empresa como estagiário, me matriculei num tecnólogo de 2 anos só pra conseguir entrar na multinacional e decidi que ia suar muito, crescer na empresa e fazer dinheiro.\n\nDepois de sair de casa, voltar pra casa não dava mais. Com meu salário de estagiário, sabendo que eu ia receber uma promoção, falei pra ela: \n\n“Acho que vou alugar um apartamento”\n\nEla achou que eu tava brincando. Uma semana depois eu já tinha achado um lugar. \n\nDe estagiário fui contratado como terceiro, de terceiro como Júnior na Nissan e de Júnior como Pleno. Nesse meio tempo, eu terminei meu curso de tecnólogo e estava pensando o que eu iria fazer em seguida.\n\nFazer uma pós em negociação? Gestão de pessoas? \n\nPsicologia?\n\nEu nunca parei de estudar psicologia. Não estava matriculado mas tinha lido tudo que podia colocar minha mão sobre o assunto. Acabei me apaixonando por Carl Jung e comprei a coleção completa dele.\n\nMe pareceu um ótimo plano:\n\nEu tinha um ótimo salário. Eu estava crescendo e logo teria mais responsabilidades na empresa e não teria tempo pra fazer uma segunda faculdade.\n\nO motivo que eu tinha deixado psicologia era porque eu não sabia fazer dinheiro, não sabia da minha competência, meus limites e minhas capacidades, mal sabia limpar minha própria bunda.\n\nEu já não tinha essas dúvidas, aprendi a dar duro, a me vender, a fazer dinheiro, a colocar em prática as coisas. Então fechou, decidi fazer psicologia simplesmente porque eu amava psicologia. Eu tinha planos de crescer na empresa, então as coisas só iriam ficar mais difíceis, só teria menos tempo e mais responsabilidades. Então terminar a faculdade que eu havia trancado agora parecia o melhor e o único momento possível. \n\nEu teria o melhor dos dois mundos: Ganhar bem numa multinacional com prospecto de crescer na empresa, lidando com pessoas que era o que eu gostava de fazer e ao mesmo tempo ser um psicólogo.\n\nQuão incrível seria ter um chefe psicólogo? Eu adorava essa ideia. Queria ser líder, gestor de pessoas.\n\nMinha mãe obviamente adorou a ideia, sei que ela ficou decepcionada por eu ter abandonado psicologia antes, ela nunca disse nada pra mim pois era expectativa dela, mas obviamente ela ficou orgulhosa quando eu voltei a cursar.\n\nComecei o curso em 2018, fiquei alguns meses negociando com a Coordenadora do curso, pois queria saber como eu iria integrar meu trabalho aos estágios nos últimos períodos. Acho que depois de ela ver que eu tava levando a sério, ela me ajudou muito, removendo matérias que eu acho que ela não precisaria quando eu trouxe meu histórico da outra faculdade que fiz psicologia.\n\nQuando eu cheguei nos estágios clínicos (últimos anos), eu notei que era isso que eu amava fazer. \n\nComo já disse Mike Tyson: “todo mundo tem um plano até levar um murro na boca”.\n\nE eu notei comigo mesmo: “Vish, vou ter que sair do meu trabalho. Achei o que eu amo fazer.”\n\nNessa época minha mãe fazia “visitas” ao hospital cada vez mais frequentes, começaram com crises trimestrais, para mensais, para semanais, para várias vezes por semana. Sabíamos que o dia estava chegando. \n\nEm um desses dias de hospital, eu fui dormir lá pra conversar com ela sobre um vídeo que eu havia visto.\n\nEra uma interpretação psicológica da história bíblica do dilúvio, a mensagem muito poderosa falava o seguinte:\n\nMuitas vezes a tragédia nos pega desprevenidos. Um acidente de carro, uma demissão, uma crise econômica, um assalto, uma pandemia. \n\nMas muitas vezes, a tragédia vem de longe, sabemos que ela está vindo. O dilúvio é avisado.\nO câncer é assim. Falando bem a verdade, a vida é assim: todos um dia morreremos. Fingimos que não, mas o luto está vindo para todos.\n\nMas pra quem tem câncer, é como ter estampado uma data de validade na testa careca. Acho que é isso que assusta as pessoas quando veem uma careca: é um lembrete de sua própria mortalidade.\n\nO dilúvio vai vir. E vai destruir seu mundo. Não tenha sombra de dúvida disso.\n\nMas é possível sobreviver, se você não ignorar a tragédia e lidar com ela. É possível criar uma Arca que sobreviva aquilo que vai destruir o seu mundo. \n\nE quando o dilúvio passar, vida nova florescerá dos restos do mundo que se foi.\n\nA tragédia é inevitável, mas podemos evitar o inferno.\n\nInferno é ter um leito de morte onde os irmãos estão brigando pela herança. Onde o esposo está perdido e não sabe o que fazer com o luto dos filhos. Onde no funeral, não tem ninguém. Ou pior, só tem uma pessoa solitária.\n\nDecidimos então fazer nossa Arca. Já estávamos fazendo ela desde 2014. Mas agora era mais urgente. \n\nMinha mãe começou a escrever um livro, chamado Da dor ao Humor. Onde ela conta as coisas absurdas que as pessoas que iam visitar ela falavam pra ela e como essas histórias viravam motivo de risada e deboche na mesa de café. Um livro pra pacientes e familiares sobre o que falar e o que não falar pra pacientes de câncer. Mas principalmente sobre como ser capaz de rir das tragédias e das coisas terríveis da vida é benéfico. \n\nPlanejamos que música (Hallelujah) iria tocar no funeral dela. \nEla queria outra música, mas avisei que se ela não gostasse da que eu escolhi, poderia vir puxar meu pé na cama de noite depois do funeral. O funeral era dela mas o DJ era eu.\n\nNos preparamos para o funeral também, sem envolver ela, mas envolvendo a família: Onde as senhas dos bancos iam ficar, onde estaríamos e onde faríamos o velório.\n\nMeu pai e minha mãe já haviam se separado há muito tempo, mas uma Arca tem espaço pra família também e meu pai esteve muito presente o tempo todo. Minha irmã, que na época tinha 15 anos de idade fez o possível e o impossível também.\n\nNão sabíamos se era suficiente. Nunca é suficiente, mas foi muito melhor do que se não tivéssemos nos preparados.\n\nEu me formei como Psicólogo em 2022. Minha mãe faleceu em 2020. \nInfelizmente ela não pode estar presente na minha formatura. \nMas carrego ela e o propósito dela dentro de mim.\nAprendi uma coisa: é possível transformar a dor em amor.\nA falta que ela faz é sinal do valor que ela teve em vida.\n\nHoje eu sou psicólogo. Saí do meu emprego para fazer o que eu amo. E quando eu fui pensar em que área eu me especializaria, era óbvio.\n\nEu ajudo pessoas e famílias a construírem suas próprias Arcas. Para sobreviverem aos seus dilúvios.\nTalvez quem você ame já se foi, talvez esteja pra ir. Mas nunca é tarde pra começar.\n\nSe você é paciente ou algum familiar seu é paciente oncológico, eu posso ajudar você a sobreviver a tormenta, recuperar o sentido na vida e achar propósito na morte."],"contextSpecialty":null,"id":"68cca6b306d51915e0119ef2","categories":[{"identifier":"psicologo","name":"Psicólogo"}]}